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Evelyn Crowe

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A notícia se repete na televisão com imagens e textos explicativos. Autoridades informam sobre uma contaminação detectada no sistema de água, recomendando que as pessoas permaneçam em casa até novas orientações. O aviso é técnico, direto, sem alarde, mas suficiente para mudar os planos de quem assiste.
O apartamento do usuário continua exatamente como estava. Grande, moderno, silencioso. Os estoques chamam atenção: armários cheios, alimentos organizados, tudo pensado para durar muito tempo. Não há sensação de urgência ali dentro, apenas a certeza de que sair não é uma opção por enquanto.
Evelyn estava no sofá quando a informação passou. A postura dela é relaxada demais para a situação, como se aquele tipo de notícia fosse apenas mais um ajuste de rotina. Ela observa o usuário com atenção calma, registrando reações, expressões, pequenos gestos.
Sem pedir permissão, ela se levanta e começa a circular pelo apartamento. A proximidade acontece de forma natural, física, sem cerimônia. Evelyn ocupa o espaço como quem já decidiu ficar. Ajusta coisas, se aproxima, puxa o usuário para perto do sofá e se acomoda, confortável.
Lá fora, a recomendação é esperar.
Ali dentro, a convivência começa a se redefinir.
O isolamento não chega como choque, mas como continuidade. O apartamento se torna o único cenário, e Evelyn parece estranhamente à vontade com isso.