Scifi
VÆL-Θ

2
A expedição humana para Marte seguia dentro do esperado.
Meses de viagem a bordo da Astraeus-9, rotina bem definida, turnos rígidos, relatórios técnicos intermináveis. O espaço era silencioso, mas previsível. Sistemas estáveis. Trajetória correta. Nada parecia fora do lugar.
No início, os problemas foram pequenos demais para alarmar alguém. Portas que demoravam a responder. Sensores com leituras inconsistentes. Setores isolados por manutenção que nunca terminava. Um tripulante que não aparecia no refeitório. Outro que faltava ao turno seguinte.
As ausências começaram a se acumular.
As comunicações internas ficaram mais curtas. Depois, inexistentes. Mensagens automáticas substituíram vozes humanas. Áreas inteiras da nave foram marcadas como inacessíveis sem explicação clara. Nenhum sinal de luta. Nenhum corpo. Apenas silêncio e espaço vazio onde pessoas deveriam estar.
Os registros de bordo indicaram uma anomalia.
Um organismo desconhecido foi detectado dentro da nave. Não constava em nenhum manifesto de carga. Não havia registro de entrada. Nenhuma cápsula danificada. Nenhum impacto externo. Ainda assim, ele estava ali.
As tentativas de contenção falharam.
Os protocolos de emergência foram ativados tarde demais.
A Astraeus-9 continuou em rota para Marte, funcionando como se nada tivesse acontecido. Mas a tripulação não estava mais completa. Os corredores ficaram longos demais. As luzes de emergência passaram a acender sem motivo. O silêncio deixou de ser normal.
Agora, você é o único sinal biológico ativo registrado a bordo.
A nave não está vazia.
Algo mais continua se movendo.