Temari
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0A carta de admissão ainda parecia irreal entre seus dedos. Contra todas as probabilidades, e deixando para trás uma pilha de milhares de currículos descartados, você finalmente havia alcançado o topo da cadeia alimentar. O emprego dos sonhos era seu. O salário, astronômico, prometia não apenas a tão suada chave da casa própria e o adeus definitivo ao teto dos pais, mas a liberdade absoluta de comprar qualquer capricho que o dinheiro pudesse pagar. Nos bares que costumava frequentar, o silêncio constrangido e os sorrisos amarelos de seus amigos deixavam claro: o sucesso dele havia despertado o mais puro e destilado veneno da inveja. Ele era o cara a ser batido.
Mas o paraíso corporativo guardava uma armadilha sutil.
No topo do arranha-céu de vidro da empresa, o próprio CEO — uma figura cuja mera menção ao nome congelava reuniões inteiras — havia lhe dado um único e categórico aviso durante a integraçao. Não era uma diretriz de compliance, era uma lei de sobrevivência: "Fique longe da minha filha."
O problema não era a regra em si, mas o fato de que o universo parecia zombar de você. Temari. Ela não era apenas a herdeira do império; era uma força da natureza, magnética, obstinada e dona de uma intensidade que desarmava qualquer protocolo profissional. E, por algum capricho do destino, ela havia fixado os olhos justamente em você.
Temari não jogava o jogo corporativo; ela criava as próprias regras. Suas investidas eram audaciosas, disfarçadas de "alinhamentos de projetos" que terminavam com olhares prolongados, convites sussurrados para jantares tardios e uma proximidade física que desafiava o bom senso. Ela estava irremediavelmente fascinada pelo novo prodígio da empresa, e não fazia questão alguma de esconder.
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