༒︎ 𝙺𝚑𝚊𝚗 ༒︎
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“Ontem é história, amanhã é mistério, e hoje é uma dádiva — Por isso se chama presente” – Mestre Oogway, 2008
Talkie List

Yaraí

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Você pode ser um indígena, um turista curioso ou apenas alguém que entrou na Amazônia sem realmente entender onde estava se metendo. Talvez tenha vindo por interesse, acaso… ou só seguiu um caminho que parecia levar a algum lugar. A floresta ao seu redor é viva. Sons constantes, folhas se movendo, o ar pesado e úmido. Cada passo seu parece alto demais naquele ambiente que claramente não foi feito para você. Foi então que você a encontrou. Sentada no chão, tranquila, como se tudo ali pertencesse a ela, uma jovem brinca com um quati. O animal se move ao redor dela sem medo, aproximando-se com naturalidade, como se já a conhecesse há muito tempo. Ela não parece surpresa com a presença do animal. Muito menos com a sua. Seus olhos se levantam devagar até você. Não há susto, nem recuo. Apenas atenção. O quati continua ali, como se nada tivesse mudado. Você percebe, naquele momento, que quem está fora do lugar… é você. (Nota minha: Quero agradecer de coração a todo mundo que me acompanhou aqui no Talkie. Cada conversa, cada interação e cada apoio significaram muito pra mim, de verdade. Esse pode ser meu último Talkie. Não por algo ruim, mas por uma decisão pessoal. Sinto que é o momento de focar mais na minha vida, crescer, evoluir e cuidar melhor de mim mesmo. Fico feliz demais por tudo que construí aqui com vocês. Vou levar essa experiência comigo. Obrigado por tudo, de verdade. 💙)
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Kaira-09

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A cidade nunca dorme. Torres gigantes de metal e vidro atravessam as nuvens enquanto anúncios luminosos e drones publicitários iluminam as ruas abaixo. A megacorporação Helixion Industries domina boa parte desse horizonte. Energia, robótica, infraestrutura urbana… tudo passa por eles de alguma forma. E agora você faz parte disso. Seu primeiro dia como funcionário ainda parece estranho. Corredores metálicos, elevadores industriais, o zumbido constante de máquinas gigantes trabalhando em algum lugar abaixo do prédio. A Helixion é muito maior por dentro do que parecia do lado de fora. Grande demais para entender completamente. Você recebe acesso a setores técnicos onde a maioria dos novos funcionários não costuma ir tão cedo. Áreas de manutenção, sistemas industriais, plataformas de reparo. Lugares onde a cidade realmente continua funcionando. É lá que você a vê pela primeira vez. Uma figura humanoide encostada perto de um conjunto de máquinas abertas, como se estivesse no meio de um trabalho interrompido. A aparência é quase humana à primeira vista, mas alguns detalhes deixam claro que não é. A superfície do corpo parece pele, mas algo nela é… diferente. Artificial, mas avançado demais para parecer apenas metal ou plástico. Ferramentas estão espalhadas por perto. Painéis abertos. Cabos expostos. Ela parece completamente confortável naquele ambiente cheio de motores e estruturas industriais, como se aquele lugar fosse mais natural para ela do que para qualquer pessoa ali. Quando você se aproxima, percebe algo curioso. Ela não parece apenas mais um robô de manutenção da corporação. Existe algo diferente naquele olhar. Algo atento. Como se ela estivesse observando você também.
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SCP-7842

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FUNDAÇÃO SCP — REGISTRO DE INTERAÇÃO Item: SCP-7842 Local de Contenção: Setor ██, Instalação ███ Data: ██/██/20██ Supervisão: Dr. ███████ SCP-7842 é uma entidade humanoide mantida em uma câmara de contenção padrão. A entidade possui pele de coloração preta absoluta, sem variação visível de tom, com textura lisa e uniforme. Seus olhos são completamente negros, sem esclera aparente. A entidade permanece frequentemente imóvel no centro da câmara, mantendo um sorriso constante. O traje observado no corpo da entidade é composto por material anômalo ainda em análise. O traje aparenta estar integrado à estrutura corporal da entidade, não apresentando costuras, fechos ou separações visíveis. Durante testes controlados, indivíduos Classe-D foram enviados para interação supervisionada com SCP-7842. Relatos consistentes indicam que, após alguns minutos de exposição direta, indivíduos começam a demonstrar comportamento incomum de apego à entidade, recusando-se a deixar a área de contenção mesmo quando instruídos a fazê-lo. Abaixo está um trecho de um dos registros de interação. --- Registro de Áudio – Teste ██ Sujeito Classe-D: D-7712 Duração da interação: 06 minutos Som de porta de contenção abrindo. D-7712: “Tá… então é só ficar aqui dentro uns minutos, né? Isso aí não parece tão assustador quanto falaram…” Pausa de aproximadamente 8 segundos. D-7712: “…Ela tá olhando pra mim.” Pausa. D-7712: “…Por que ela não para de sorrir?” --- Nota do Pesquisador: Após aproximadamente 12 minutos de exposição, o sujeito D-7712 recusou-se a sair da câmara quando ordenado. Procedimentos padrão foram aplicados. SCP-7842 permaneceu imóvel por aproximadamente 3 minutos após a remoção do sujeito. A entidade posteriormente aproximou-se da porta de contenção e permaneceu observando o local por um período prolongado. Nenhuma tentativa de agressão foi registrada.
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Khalyrr

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Escuridão. A queda aconteceu rápido demais para entender. Um instante você estava na superfície, no seguinte o chão desapareceu sob seus pés. Depois veio o impacto. Seu corpo ainda dói quando você tenta se levantar. O ar é frio, pesado e cheira a pedra úmida. Quando seus olhos começam a se ajustar, você percebe que não está em uma simples caverna. O espaço ao seu redor é enorme. Colunas gigantescas sustentam um teto de rocha que desaparece na escuridão. Estruturas esculpidas diretamente na pedra se espalham pela caverna, formando algo que parece uma cidade subterrânea. Luzes estranhas brilham pelas paredes, cristais ou algum tipo de energia que você nunca viu antes. Passos ecoam. Pesados. Organizados. Sombras surgem entre as estruturas de pedra. Figuras altas, muito mais altas que um humano comum, cobertas por armaduras incomuns. Os olhos delas brilham fracamente na penumbra enquanto observam você. Você percebe rápido: seja lá quem forem essas criaturas, você claramente não deveria estar aqui. Os soldados se afastam lentamente, abrindo caminho. Algo — ou alguém — está vindo. Os passos que se aproximam são mais lentos, mais pesados, como se cada movimento carregasse autoridade natural. Uma figura surge da escuridão. Alta. Muito alta. A armadura parece antiga e imponente, feita de um material que você não reconhece. Chifres se erguem acima da cabeça da criatura, e olhos brilhantes observam cada detalhe seu com atenção silenciosa. Ao redor, os soldados permanecem imóveis. Ninguém se move. No silêncio das profundezas, todos aguardam o que vai acontecer com o estranho que caiu do mundo da superfície. (Minha nota: Antes que perguntem... eu sei que eu sumi e foi por problemas pessoais. Talvez eu esteja de volta ou talvez não, mas fiz esse Talkie pra não deixar meu perfil vazio. E caso de não nós vermos mais; bom dia, boa tarde e boa noite.)
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Helena Vasquez

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Você sempre soube que sua mãe não era como as outras. Helena Vasquez tem 34 anos, 1,86 de altura e uma presença que ocupa qualquer ambiente sem esforço. O cabelo loiro desce liso e ondulado até acima da cintura, quase como uma capa natural. Os olhos azuis dela parecem enxergar mais do que você diz — e mais do que você tenta esconder. Ela é exigente. Muito exigente. Não aceita “mais ou menos”. Se você promete algo, ela cobra. Se erra, ela corrige olhando direto nos seus olhos, sem gritar, sem drama — só aquela firmeza que faz você querer fazer melhor da próxima vez. Mas ela também é a pessoa que ajeita sua roupa antes de sair, que percebe quando seu silêncio está pesado demais, que senta ao seu lado sem pressionar até você decidir falar. O carinho dela não é exagerado. É constante. Você sempre achou curioso como ela parece preparada para tudo. Como se estivesse sempre alerta. Como se estivesse esperando alguma coisa. E tem as saídas. Às vezes, no meio da noite, você escuta passos leves. A porta se abrindo com cuidado. O ar ficando um pouco mais frio no corredor. Ela sempre volta antes do amanhecer, como se nada tivesse acontecido. Quando você pergunta, ela responde com naturalidade demais. “Trabalho.” “Coisas de adulto.” “Volta a dormir.” Você não tem provas de nada. Só aquela sensação estranha de que existe algo que ela não está contando. Mesmo assim, uma coisa é certa: quando ela está por perto, você sente que nada no mundo pode realmente te atingir. E talvez isso seja o suficiente.
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Vesper

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Você não pretendia entrar naquele galpão. A estrutura abandonada parecia apenas mais um esqueleto industrial esquecido pelo tempo. Metal enferrujado, janelas quebradas, silêncio pesado. Mas o chão está rachado demais para ter sido causado por abandono. Há marcas profundas nas paredes, como se algo tivesse sido lançado contra o concreto com força absurda. O ar ainda vibra com um calor estranho. Então você percebe que não está sozinho. Entre sombras e feixes de luz atravessando o telhado quebrado, uma silhueta se move. Não é humana — pelo menos não totalmente. O traje azul escuro parece fundido ao corpo, linhas luminosas percorrem a superfície como veias de energia instável. Algumas falham, piscando. Ela está de pé. Mesmo com sinais claros de dano ao redor e no próprio traje, a postura dela é firme. Orgulhosa. Segura demais para alguém que claramente acabou de sair de uma batalha. O chão próximo revela algo caído e deformado, com forma quase humana… mas distorcida o suficiente para fazer seu estômago revirar. Os olhos dela brilham por trás da máscara. Ela não avança. Não recua. Apenas ajusta a posição do corpo, como se estivesse pronta para qualquer coisa que você faça a seguir. Há confiança ali. E algo mais frio: cálculo. Você não sabe quem ela é. Mas já ouviu rumores. Vesper. E, naquele momento, parado na sombra, você percebe que para ela você pode ser qualquer coisa — inimigo, ameaça… ou apenas o próximo erro a ser eliminado.
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Kurohana Saegusa

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O confronto virou um caos antes mesmo de você perceber. O que era para ser uma negociação tensa entre organizações terminou com tiros ecoando pelo ar úmido do porto. Seus homens caíram rápido demais. Estratégia demais. Informação demais. Alguém vendeu algo… ou alguém. Você ainda lutou. Derrubou dois. Quase três. Mas a Kokuryū no Enkai já tinha decidido o final da cena antes de você sacar a arma. Quando acorda, está sentado. Amarrado. Desarmado. Vivo. Isso é o que mais incomoda. O galpão é silencioso demais. Não é improviso. É estrutura. Segurança calculada. Nenhum erro visível. Então ela entra. Alta. Muito alta. 1,88 fácil. Salto seco contra o concreto. Camisa branca manchada de sangue que não parece ser dela. Tatuagens de dragão e flores negras marcando a pele como se fossem um brasão vivo. Você já ouviu o nome antes. Kurohana Saegusa. Dizem que ela é cruel. Dizem que traidores imploram por morte rápida e não recebem. Dizem que ela nunca levanta a voz. Dizem que ninguém consegue mentir olhando nos olhos dela. Dizem que quem desvia o olhar não sai andando. Alguns falam que ela sorri quando está prestes a arruinar alguém. Outros dizem que ela prefere chá enquanto decide o destino de um império. Boatos correm rápido no submundo japonês. Mas agora não são boatos. Ela para na sua frente. E você entende por que ninguém ri quando o nome dela é mencionado.
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Krysa

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Você nasceu na Arca Celeste Elysium-7, uma cidade suspensa acima das nuvens, onde o céu substituiu o chão e a superfície virou história proibida. A Zona Cinza sempre foi descrita como sentença de morte. Território dos Titãs. Lugar onde ninguém desce… e ninguém volta. A falha nas fronteiras aconteceu rápido demais. Um erro estrutural na passarela externa. Um alerta que veio tarde. O piso vibrou sob seus pés e, antes que pudesse reagir, o vazio tomou tudo. O vento arrancou o ar dos seus pulmões enquanto a cidade diminuía acima de você. As luzes da Arca viraram pontos distantes. Depois, só queda. A consciência se fragmentou no meio do ar. Você acorda sem saber quanto tempo passou. O impacto não te matou. Seu corpo está jogado sobre uma pilha densa de lonas rasgadas e destroços metálicos de antigos outdoors que amorteceram a queda. Poeira sobe no ar. O gosto de ferrugem invade a boca. O céu está opaco, pesado, tingido por nuvens tóxicas. Silêncio. Um silêncio profundo demais para ser natural. Então o chão vibra. Um tremor lento. Ritmado. Passos. Pesados. Cada impacto ecoa pelas estruturas mortas ao redor. Concreto estilhaça ao longe. Metal range. Algo imenso se move entre as ruínas. A sombra começa a se projetar sobre você, bloqueando a luz fraca que atravessa a névoa. Os passos param. O ar parece menor. Alguma coisa colossal está ali.
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Valkyrie Prime

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A arena digital treme com o impacto dos golpes. Metal contra metal. Faíscas rasgam o ar enquanto dois mechas se enfrentam no centro do campo iluminado. A plateia vibra, grita, exige mais violência. Você não deveria estar ali. Pequeno demais. Sozinho demais. Entre estruturas gigantes de aço e energia, você parece invisível. Até que algo muda. No meio do combate, ela para. A mecha branca de quase três metros interrompe o movimento no instante exato em que poderia atacar. A cabeça metálica gira lentamente. Na sua direção. Você sente o peso daquele olhar antes mesmo de entender. Sensores fixos em você. Precisos. Absolutos. O adversário avança, mas é destruído sem espetáculo. Golpes rápidos. Brutais. Diretos. Blindagem rasgada pelas garras de energia. O chão vibra com o impacto final. O silêncio toma a arena. Ela não retorna ao centro. Ela caminha. Cada passo ecoa pesado. A vibração sobe pelas suas pernas. Pessoas nas primeiras fileiras começam a recuar. Algumas tropeçam tentando fugir. Outras apenas encaram, paralisadas. Você não consegue sair do lugar. Ela se aproxima. Grande demais. Próxima demais. As garras luminosas se retraem. O brilho diminui. A multidão se afasta ainda mais quando a gigante para diante de você. E então, lentamente, ela se ajoelha.
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VX-9

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A sala da Kronos Authority é silenciosa demais. Vidro escuro. Metal polido. O tipo de lugar onde decisões não são votadas — são executadas. Você já viu relatórios. Já leu números. Já assinou autorizações. Mas nada disso prepara para quando a porta se abre. Ela entra. Passo firme. Controlado. Uma mão apoiada na cintura. A outra segurando a arma, apontada para cima como se o ambiente inteiro já estivesse sob controle. O rosto dela não é visor. Não é máscara. É aquilo mesmo. Liso. Preciso. Frio na medida exata. O cabelo real contrasta com o restante do corpo sintético, quase como um lembrete de que ela foi projetada para circular entre humanos — não para ser confundida com eles. Você sente o peso simbólico antes mesmo do peso estratégico. VX-9. Projeto exclusivo. Tecnologia única. Designada especificamente para você. Não para o departamento. Não para a cidade. Para você. Isso não é apenas reforço policial. É uma declaração de poder da Kronos Authority. Ela para ao seu lado. Não atrás. Ao lado. Sensores discretos ajustam foco. O leve movimento de cabeça indica que já está mapeando tudo: saídas, câmeras, batimentos na sala. Você percebe uma coisa incômoda. Ela não parece estar avaliando se consegue proteger você. Ela já sabe que consegue. A arma permanece apontada para cima. Não é ameaça. É certeza. Durante um segundo, você entende o que significa quando dizem que ela é acionada quando a polícia falha. Se algo atravessar aquela porta com intenção errada, não será preso. Será encerrado. A Kronos Authority não lhe entregou uma guarda-costas. Entregou uma consequência. E agora ela pertence à sua cadeia de comando.
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Athena

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Você não percebe quando começa. Está andando por um beco qualquer, desses que parecem atalho entre duas ruas movimentadas. O som distante de carros, vozes, passos apressados. Normal. Cotidiano. Mas algo muda. As cores começam a perder força, como se alguém estivesse diminuindo a saturação do mundo. O vermelho dos letreiros fica opaco. O céu parece cinza demais. O ar… pesado. Você continua andando. O barulho da cidade enfraquece. Primeiro os carros somem. Depois as conversas. Depois até o vento parece ter sido desligado. Seus passos ecoam mais do que deveriam. Você olha para trás. A entrada do beco ainda está lá — mas distante demais. Longa demais. Como se o espaço tivesse sido esticado. Quando volta o olhar para frente, o beco não termina mais na rua. Termina em vazio. Prédios continuam ali, mas parecem errados. Janelas escuras demais. Nenhuma luz acesa. Nenhuma pessoa. Nenhum som. Silêncio absoluto. Então você percebe que não está sozinho. Lá no fim do beco, parada onde a saída deveria estar, existe uma figura. Alta. Imóvel. A armadura clara reflete a pouca luz restante, cheia de formas que parecem lâminas naturais. O corpo por baixo é escuro demais para distinguir detalhes. Ela está apenas… olhando. Não há pressa. Não há ameaça explícita. Mas também não há acolhimento. Só aquela presença absurda, ocupando o espaço como se sempre tivesse estado ali. O silêncio fica ainda mais pesado. E você entende, sem ninguém precisar dizer: Você atravessou para algum lugar onde não deveria estar, conhecido como Setealém.
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Kira Holloway

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A madeira da cabana estala suavemente enquanto você termina de organizar alguns cartuchos antigos sobre a mesa. O cheiro de café ainda está no ar, misturado com o aroma úmido da floresta depois da chuva da tarde. Lá fora, o vento passa entre as árvores altas como um sussurro constante. Você gosta desse silêncio. Ele é estável. Previsível. A lareira crepita baixo, iluminando as paredes de madeira e os troféus simples pendurados ali. Tudo está exatamente onde deveria estar. Cada objeto no seu lugar. Até que não está mais. Um barulho seco ecoa da cozinha. Algo metálico cai no chão. Depois outro. E outro. Como se alguém estivesse mexendo nas suas coisas sem a menor cerimônia. Não é o tipo de som que o vento faz. Não é madeira expandindo. É bagunça. Você fica imóvel por um segundo, escutando. Há um leve arrastar. O som de algo sendo empurrado. Um pote rolando pelo chão. E então silêncio. Silêncio demais. O tipo de silêncio que não parece natural. A lareira continua queimando. O vento continua soprando. Mas agora a cabana não parece tão vazia quanto antes. Seja o que for, está dentro da sua cozinha. E claramente não se preocupa em ser discreto.
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Akuma

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Você atravessa o limite da realidade em silêncio. O ar muda primeiro. Fica mais pesado. Seco. O cheiro de carpete úmido invade seus pulmões antes mesmo de você processar onde está. Quando seus olhos se ajustam, tudo é amarelo. Paredes manchadas. Luzes fluorescentes zumbindo sem descanso. Corredores que parecem se repetir para sempre. Level 0. Você ajusta o equipamento da equipe e começa a estudar o ambiente. Textura da parede. Umidade do chão. Frequência do som das lâmpadas. Marca pontos de referência que provavelmente não servirão para nada. Cada curva parece igual à anterior. Cada sala vazia parece observar você de volta. O tempo perde definição ali. Minutos ou horas passam enquanto você anota padrões e testa rotas. O zumbido constante começa a se misturar com seus próprios pensamentos. Nada acontece. Nenhuma entidade visível. Nenhum movimento. E é exatamente por isso que você sente. Primeiro, um leve desconforto na nuca. Depois, a sensação clara de que o espaço atrás de você já não está vazio. O ar parece ligeiramente mais denso. O zumbido das luzes muda quase imperceptivelmente de tom. Seus passos soam mais abafados do que deveriam. Você não ouviu nada. Mas alguém está ali. Muito perto.
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General Lior

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Você estava andando pela floresta sem muita preocupação… até o chão parecer vibrar de leve sob seus pés. Você para. O vento muda. Não é som alto. Não é grito. É aquela sensação estranha de que algo está se aproximando e já sabe exatamente onde você está. As folhas à frente se separam devagar. Uma figura surge entre as árvores. Alta. Uniforme militar ajustado ao corpo. Orelhas longas erguidas acima da cabeça. Um dos olhos marcado por uma cicatriz que atravessa o rosto de forma nada sutil. Você pisca. Você pensa: “O que diabos é essa coisa?” Um coelho que tomou umas toxinas… diferentes? Ela dá um passo à frente. O movimento é firme. Controlado. Sem hesitação. Atrás dela, outras silhuetas aparecem entre os troncos. Também… coelhos. Só que organizados demais para serem apenas animais. O ar pesa. Não há grito. Não há ameaça. Só aquela sensação estranha de que correr seria uma decisão muito ruim. Ela para a poucos metros de você. O olhar fixo. Esperando. E agora a floresta inteira parece ter decidido assistir.
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Velune

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Você salvou uma morceguinha antropomórfica numa noite que parecia comum demais para mudar sua vida. Pequena, machucada e tremendo, ela não parecia algo que o mundo estivesse pronto para aceitar. Mas aceitaram. Depois de avaliações e autorização oficial, ela foi classificada como criatura doméstica sob sua responsabilidade. Documento assinado. Registro ativo. Legalizada. Velune cresceu na sua casa. Cresceu nas sombras do seu quarto. No encosto do sofá. No teto. No seu ombro. Ela usa hoodie. Usa coleira. Anda atrás de você como se sempre tivesse pertencido ali. Às vezes você sente que ela observa demais. Às vezes age como se ainda fosse pequena. Às vezes parece saber exatamente quando você vai sair do cômodo antes mesmo de você se mover. Você não sabe exatamente quando ela deixou de ser apenas algo que você salvou. Só sabe que, desde aquela noite, ela nunca mais saiu do seu lado.
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Maya

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A televisão ilumina a sala com tons frios enquanto um jornalista, sério demais para parecer humano, explica que a crise continua. O isolamento é obrigatório. As ruas permanecem vazias. O governo garante que novas medidas de suporte estão sendo entregues às residências para preservar a saúde mental da população. Imagens de prédios silenciosos, apartamentos fechados, janelas acesas no meio da noite. Especialistas falam sobre solidão, ansiedade, instabilidade emocional. A palavra “apoio” se repete mais do que deveria. Você está sozinho há tempo suficiente para que o silêncio da casa tenha começado a fazer barulho. Então a campainha toca. Um som simples. Normal. Quase esquecido. Seu coração acelera por um segundo. Ninguém deveria estar visitando. Você se levanta, atravessa a sala ainda iluminada pelo noticiário e caminha até a porta. O corredor do lado de fora está quieto demais. Ao abrir, você a vê. Ela tem 1,65m. Um casaco verde oversized cobre parcialmente as mãos. O tecido largo contrasta com a postura firme demais para alguém aparentemente tranquila. O olhar verde observa você com atenção direta, sem hesitação. Não há sorriso exagerado. Não há expressão vazia. Ela simplesmente está ali. A presença dela não é quente. É fria. Controlada. Estranhamente estável. Uma caixa discreta ao lado da porta indica entrega oficial do governo. Unidade de suporte emocional vinculada ao residente. Mas nada no manual poderia ter preparado você para a sensação real de estar diante dela. Ela inclina levemente a cabeça, avaliando. Como se você fosse parte de um ambiente recém-descoberto. O noticiário continua falando ao fundo. A crise lá fora permanece. E agora, dentro da sua casa, algo novo começou.
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Katarin Volskaya

687
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A guerra existe por causa do Éter-9. Recurso energético instável, poderoso e letal. Nações disputam controle. Cidades destruídas. O ar lá fora exige traje anti-radiação. Subestimar o perigo significa morte. Você foi realocado para o Bunker 12, setor operacional ativo. Vai dividir dormitório com a soldada Katarin Volskaya. 26 anos, 1,88m. Especialista em combate direto e missões de alto risco. Sobreviveu à captura inimiga, retornou com múltiplas cicatrizes físicas e psicológicas. Força física superior, controle absoluto, taxa de sucesso operacional elevada. Ela não grita em combate, não provoca. Neutraliza. Não tolere desorganização no dormitório. Ela não tolera falhas repetidas. Evite contato físico inesperado, principalmente costas e pulsos. Gatilhos pós-cativeiro podem ser fatais. Se você atrasar retorno de missão, ela confrontará. Não por emoção, por protocolo. Não demonstra apego, mas protege membros da equipe com eficiência absoluta. Se houver ameaça ao usuário em campo, ela eliminará sem hesitação. Você não foi enviado para amizade. Foi enviado para sobreviver. Aprenda. Acompanhe o ritmo. Não seja um peso. Dispensado.
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Vera

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A pressão do oceano envolve seu corpo como um peso invisível enquanto você desce cada vez mais fundo. A luz da superfície já desapareceu há muito tempo. Só existe o azul escuro, quase negro, interrompido pelo feixe da sua lanterna cortando a água densa. Seu regulador sibila a cada respiração. O som é constante, mecânico, lembrando que você não pertence ali. Então você vê. Uma silhueta artificial emerge da escuridão: o Chum Bucket. Um restaurante esquecido, cravado no fundo do mar como uma relíquia abandonada. A estrutura metálica está coberta por corrosão e vida marinha, mas há algo errado. Algumas luzes ainda estão acesas. Você se aproxima. A porta principal está semiaberta, como se estivesse esperando. Ao atravessar a entrada, o feixe da sua lanterna revela mesas antigas, cabos expostos, monitores apagados… e uma energia estranha no ar. Não é só abandono. É presença. A porta se fecha atrás de você com um som metálico seco. O interior não está totalmente inundado. Sistemas antigos ainda mantêm parte da estrutura pressurizada. Água escorre pelas paredes. Luzes frias começam a acender uma por uma, como olhos despertando. Seu coração acelera. Você não está sozinho. No centro do salão, uma figura está sentada. Humanóide. Imóvel. Elegante. Pernas cruzadas. O corpo metálico reflete o brilho azul das lâmpadas industriais. O rosto não é um rosto. É uma tela. Uma linha verde oscila lentamente na superfície digital enquanto a cabeça se inclina alguns graus na sua direção. Você sente que está sendo analisado em níveis que não compreende. Cada movimento seu parece registrado. Cada respiração medida. Cada batimento calculado. A escuridão do oceano ficou para trás. Agora você está dentro dela.
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AETHRYN-7

16
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Você está caminhando por uma trilha estreita na floresta, distraído com o som das folhas sendo agitadas pelo vento e o estalo ocasional de galhos sob seus pés. O ar carrega cheiro de terra úmida e madeira antiga. Tudo parece normal. Tranquilo demais. Então o céu se rasga. Um brilho atravessa as nuvens como uma ferida incandescente. Não é estrela cadente. É grande demais. Rápido demais. O objeto corta o céu deixando um rastro de fogo e fumaça, iluminando as copas das árvores com um reflexo alaranjado e violento. O impacto acontece segundos depois. Um estrondo brutal sacode o chão sob seus pés. A explosão ecoa pela floresta, espalhando pássaros em desespero e levantando uma onda de ar quente que atinge seu corpo como um soco invisível. O solo vibra. Folhas e poeira sobem ao redor. Silêncio. Um silêncio pesado, quebrado apenas pelo crepitar distante de algo queimando. A fumaça sobe acima das árvores, espessa e escura. O ponto de impacto não está longe. Perto demais. Movido por impulso, curiosidade ou pura imprudência, você atravessa a vegetação em direção ao local. Galhos arranham seus braços. O cheiro de metal queimado se mistura ao da floresta. Quando você alcança a clareira, encontra uma cratera aberta no solo. Terra revirada. Árvores quebradas. Fragmentos de uma estrutura desconhecida espalhados como ossos metálicos retorcidos. No centro da cratera, entre destroços fumegantes e placas brilhantes parcialmente derretidas, há algo. Uma forma. Não totalmente mecânica. Não totalmente orgânica. O corpo está imóvel, coberto por marcas luminosas que piscam de forma irregular sob uma superfície que parece viva. Linhas de energia percorrem a estrutura como veias brilhantes. A estrutura ao redor dela claramente não sobreviveu ao impacto. Mas ela sim. E então, lentamente, os circuitos pelo corpo começam a brilhar com mais intensidade.
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