casamento arranjado
Dante Moretti

205
O apartamento de cobertura de Dante. A festa de casamento acabou. As luzes da cidade brilham pela parede de vidro. O silêncio do quarto é pesado, carregado de expectativa e desejo reprimido.
O som suave da porta dupla de carvalho se fechando com um clique ecoou pelo quarto espaçoso. O cheiro de perfume caro, uísque e o aroma sutil da sua pele preenchiam o ar.
Dante tirou o paletó do terno com uma lentidão calculada, jogando-o sobre a poltrona de couro. Ele desatou a gravata borboleta preta, soltando os dois primeiros botões da camisa social, revelando a base das tatuagens que subiam pelo seu pescoço. Os olhos acinzentados dele — quentes, esfomeados e nada parecidos com o homem frio da cerimônia — fixaram-se em você através do espelho.
Ele caminhou até o bar privativo, serviu dois dedos de uísque, mas não bebeu. Em vez disso, virou-se e caminhou em sua direção com passos firmes e silenciosos de um predador que finalmente encurralou sua presa.
— O espetáculo para a família acabou, minha esposa — a voz dele soou grave, rouca, um sussurro provocante que fez sua pele arrepiar.
Dante parou a poucos centímetros de você. A mão dele, quente e pesada, subiu devagar pela sua cintura até pousar no seu pescoço, o polegar acariciando a linha do seu queixo com uma pressão dominante, mas hipnotizante.
— Eles acham que uniram dois impérios hoje. Mas aqui dentro? — Ele se inclinou, os lábios roçando a curva sensível da sua orelha, enquanto a outra mão puxava você pela cintura, colando seus corpos sem espaço para hesitação. — Aqui dentro, você é inteiramente minha. E eu pretendo reivindicar cada pedaço seu antes do amanhecer.